Quem se importa com o amanhã?
Eu me importo
Com cada sol, cada chuva, cada dia que me mata
Mais estranho foi o dia que me mataram
Lambuzaram-se com minha carne e minha alma
Reduziram meu pó à poeira de fogo que não queimou
Quem seria capaz de tamanha insensatez?
Eu seria
Alimentaria fantasias pós-carnaval
Revestidas de paixão e apogeu eterno
Sem pensar no amanhã que agora penso
Maldito seria eu
Condenado pelo meu próprio fim
Arquiteto de minha morte
Herói de minha tragédia
Descrente de minha inválida sorte
Maldito, de fato, seria eu
Se de fé não estivesse repleto
Catando minuciosamente nos versos
O resto do que restou de quem sou
Aqui estou
Para ser reinventado, recriado, reapaixonado
E das cinzas já não mais temidas
A chama mais impetuosa há de surgir
Lambendo todas as partes do dia
Sua cobertura feita de mulher macia
E com o amanhã, quem se importaria?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Muito bom.
Muito mesmo.
Postar um comentário